O canal que Valle

Com muita alegria recebemos o aceite do MF Adriano Valle em participar desta série de entrevistas aqui do LQI.

Adriano tem vasta experiência como jogador e treinador, também é um artista com lápis, tintas e pincel. O aspecto artístico do xadrez é um dos guias que ele usa para a geração do conteúdo de suas aulas, textos e vídeos que estão no seu canal do YouTube.

Adriano em ação no Aberto Terraviva 2019
(Foto: Ari Maia)

Ele, gentilmente, reservou um tempo para responder algumas questões para o LQI.

1) Adriano, você já é um conhecido mestre e instrutor, um dos pioneiros de aulas pelo Youtube. Mas fale um pouco mais sobre você, em especial aquilo que não tem a ver com xadrez. Nasci em Brasília em 64 (olha o Xadrez aí!) e desde cedo descobri uma outra paixão que me acompanha até hoje: o Desenho. Gosto de Artes Visuais em geral: Desenho, Pintura, Fotografia, Artes Gráficas, etc. Estudei na UnB onde me formei em Publicidade e Propaganda e anos mais tarde voltei para estudar Artes Plásticas. Sou casado há 18 anos e pai de 2 filhos adolescentes. Curto a natureza e adoro caminhar em Brasília, que é uma cidade muito verde e com amplos espaços.

2) Você conhecia o blog Lances Quase Inocentes (LQI)? Sim, já conhecia e aprecio bastante seus textos. Adquiri todos os seus livros em formato Kindle. Uma prova de como Xadrez e Literatura podem andar juntos. Gosto muito de textos sobre Xadrez que não são meramente técnicos, assim como gosto de ver o Xadrez como tema de Artes Plásticas, Cinema e Ciência.

3) Como você aprendeu xadrez e como esse jogo se tornou importante na sua vida? Aprendi Xadrez aos 11 anos, com meu tio Romênio, que hoje mora em Belo Horizonte. Por alguns anos, pratiquei o Xadrez caseiro. Jogava com primos e tios sempre que podia. Joguei o primeiro torneio aos 16 anos. Foi nessa época que descobri que havia um Clube de Xadrez em Brasília, que havia torneios oficiais, livros e revistas. Um universo se abriu. Comecei a estudar por prazer e não por objetivos competitivos e quando, aos 22 anos, me tornei Campeão Brasiliense pela primeira vez, o Xadrez já era algo muito importante em minha vida há muitos anos.

4) Em 2010 participei de um torneio em Brasília e foi lá que te conheci, pois você foi o campeão do evento (invicto com 6 pontos em 7 partidas). Hoje em dia, você ainda compete regularmente em torneios ao vivo, ou prefere partidas online? Nas décadas de 80 e 90, eu ainda viajava com frequência para jogar torneios fora de Brasília. Hoje em dia, aproveito para jogar os torneios nacionais que eventualmente acontecem na cidade, mas as responsabilidades com a família e o trabalho dificultam bastante jogar em outras cidades. Jogar online é divertido, mas não substitui a experiência de se jogar ao vivo, contra fortes jogadores, de preferência no ritmo “pensado”. Ainda pretendo jogar muitos torneios, também fora de Brasília, quando a situação permitir.

5) Gerar conteúdo sobre xadrez é uma tarefa árdua, pois a audiência é bastante crítica e seletiva e o retorno ao tempo dedicado costuma ser baixo. No teu caso, esses conteúdos fazem parte de um projeto de ensino de xadrez. Qual tua motivação para superar essas dificuldades e ter um hoje um canal consolidado de vídeos de xadrez? Minha motivação é exatamente por ser esta produção de material didático parte de um projeto de ensino. Produzo conteúdos com o objetivo de transmitir minha experiência e minha visão do Xadrez aos alunos e seguidores no YouTube. Considero uma tarefa muito agradável.

6) Ainda há espaço para livros de xadrez, ou concorda com um dos textos mais lidos do LQI que fala que eles estão chegando ao fim? Acredito que o texto, como meio de expressão, ainda está muito vivo. As mudanças decorrentes da tecnologia são em relação aos formatos. O formato impresso tem muito mais custos de produção industrial e distribuição, por isso estão cada vez mais raros nas prateleiras das livrarias. O formato digital tem suas vantagens. Tenho um tablet onde “carrego” centenas de livros. Ficaria impossível levar uma estante para a cama, mas ontem mesmo, antes de dormir, li vários trechos de livros digitais. Apesar de ter me adaptado ao mundo digital, não dispenso o formato tradicional. Posso estar sendo saudosista, mas estudar com livro impresso e tabuleiro é ainda um prazer insubstituível. Também tenho alunos crianças que adoram livros. Em minha opinião, os livros não estão chegando ao fim, mas caminharão paralelamente a outros meios de transmissão.

7) Com a quantidade de material online, aplicativos, blogs, vídeos etc, acredito que é útil estabelecer com o público uma relação de confiança próxima àquela verificada em processos do tipo curadoria de conteúdo. Você percebe que teus seguidores confiam na triagem que você faz para teus vídeos? Tem algum critério que possa nos indicar? Sinto um retorno muito positivo em relação aos vídeos que publico no YouTube e aos cursos online, que produzo desde 2011. O critério que uso para escolher uma partida que será transformada em tema de um vídeo é baseado em fatores didáticos e estéticos. Gosto de ensinar e transmitir beleza simultaneamente. A inesgotável quantidade de grandes jogadores e partidas extraordinárias que encontramos na história do Xadrez e nos dias atuais, facilita bastante essa escolha.

8) Você tem um site e um canal no YouTube. Qual sua impressão sobre os dois formatos? Acho que são complementares. No site, posso registrar análises, artigos mais elaborados, inserir diagramas e visores de partidas, oferecer downloads, além de incluir os próprios vídeos do YouTube e armazenar tudo de forma organizada. No canal, posso oferecer um conteúdo dinâmico e criar um vínculo com a audiência, servindo também de divulgação para meu trabalho como professor e treinador na Academia XadrezValle, que tem sede física em Brasília e versão EaD.

9) Pode deixar uma mensagem final para os seguidores do teu canal e leitores do LQI? Agradeço imensamente a oportunidade de participar do LQI! Vejo com muito otimismo o crescimento do Xadrez no Brasil e no mundo, com tantos torneios, clubes virtuais, canais no YouTube, cursos, aplicativos de treinamento e sinto-me honrado por ser um desses mensageiros do Xadrez. Juntos levaremos nossa bandeira a cada vez mais pessoas!

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Adriano, o LQI agradece pelo tempo que dedicou para responder às perguntas e te parabeniza pela dedicação ao xadrez, que se reflete no primoroso trabalho que você vem realizando. Quando estiver em Brasília, certamente farei uma visitra à Academia! Grande Abraço! 

Beatriz: a sorridente escudeira de Caíssa

Ela mistura duas paixões, a biologia e o xadrez, no canal do YouTube que leva seu nome: Beatriz Ibrahim. O entusiasmo de Beatriz com o xadrez é contagiante, o que tem certamente atraído muitas meninas e jovens como ela para o nosso nobre jogo.

Beatriz não se intimida frente a canais de mestres e grandes mestres com dezenas de milhares de inscritos, ela sabe que tem uma mensagem importante a transmitir, sabe da poderosa força do exemplo para meninas que estão começando hoje a jogar e podem ter seu exemplo para se espelhar.

Já vi vídeos dela falando sobre livros de xadrez, dando dicas importantes para iniciantes, analisando partidas que jogou etc. Cada um deles traz um amor pelo jogo que sem dúvida deixa Caíssa orgulhosa de sua devota!

1) Beatriz, fale um pouco sobre você, em especial aquilo que não tem a ver com xadrez.
Meu nome é Beatriz Rodrigues, tenho 21 anos e sou formada em Biologia. Amo os animais e tudo que envolve a natureza, além de trabalhar com isso, também sou professora de xadrez, árbitra e, às vezes, sou babá, sempre gostei de trabalhar com crianças.

2) Você conhecia o blog Lances Quase Inocentes (LQI)?
Conheço o blog há alguns meses e adquiri o livro ” O jogador que desejava perder” do Rewbenio, que também é autor do blog LQI.

3) Como você aprendeu xadrez e como esse jogo se tornou importante na sua vida?
Comecei a jogar xadrez com 6 anos e nesse mesmo ano fui campeã, depois disso foi só progresso, me encantei por esse esporte que é considerado o esporte da inteligência.
Hoje em dia sou professora de xadrez e árbitra da CBX.
Eu amo o que eu faço, me sinto realizada! Tudo isso graças ao xadrez!

4) Você compete ou competiu regularmente em torneios ao vivo, ou prefere eventos e partidas online?
Já joguei muitos torneios e já fui campeã várias vezes em torneios escolares. Hoje eu trabalho mais do que jogo, quando eu tenho um tempinho jogo torneios online.

5) Gerar conteúdo sobre xadrez é uma tarefa árdua, pois a audiência é bastante crítica e seletiva e o retorno ao tempo dedicado costuma ser baixo. Qual tua motivação para superar essas dificuldades e ter um hoje um canal consolidado de vídeos de xadrez?
Sempre quis unir minhas duas paixões, biologia e xadrez então por meio do YouTube vi que isso era possível. É muito difícil mas continuo seguindo porque sempre foi meu sonho.

6) Qual sua visão sobre a participação feminina no xadrez? Que medidas podem ser tomadas para incentivar ainda mais a participação das mulheres no xadrez?
É bem nítido que não há tanto interesse por parte do público feminino, podemos ver isso nos torneios. Como sou a única youtuber feminina de xadrez (no Brasil), sinto que é meu dever mudar um pouco isso, e é exatamente o que quero fazer. As mulheres precisam de mais apoio e incentivo, acho que isso é o começo de tudo.

7) Por que um canal no YouTube e não um blog?
O YouTube é uma das plataformas mais acessadas, foi por isso que decidi usá-lo como ferramenta para passar conhecimento.

8) Pode deixar uma mensagem final para os seguidores do teu canal e os leitores do LQI?
Quero agradecer ao blog por essa oportunidade e aos meus seguidores, que também são meus amigos. Obrigada pelo carinho e por sempre estarem do meu lado. Continuem nos acompanhando e viva o xadrez!!! Bjs, gratidão!!

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Beatriz, obrigado pelo tempo que você dispensou para responder nossas perguntas! Grande abraço!

Raffael Chess: canal exponencial!

Na primeira vez que vi um vídeo no canal Raffael Chess, dedicado ao xadrez, ele tinha pouco mais de mil inscritos. Alguns poucos dias depois, quando o convidei para participar desta série de entrevistas, já tinha quase 5 mil. Nos poucos dias até eu enviar as perguntas, 10 mil e quando as repostas chegaram 18 mil inscritos!

Hoje, enquanto escrevo estas linhas e edito esta postagem do LQI, Raffael já caminha firme para os 25 mil. É um crescimento exponencial!

Para quem assiste seus vídeos, não é difícil entender. Ele tem um jeito carismático e sincero de falar do jogo, seja quando comenta suas partidas, muitas vezes enquanto as joga na internet, ou quando analisa uma partida de mestres, quando partilha seu conhecimento sobre o jogo com milhares de aficionados.

Gentilmente, ele aceitou responder a algumas perguntas do LQI sobre ele e seu trabalho no YouTube.

1) Raffael, fale um pouco sobre você, em especial aquilo que não tem a ver com xadrez. Bom eu sou gaúcho, moro na região metropolitana de Porto Alegre e tenho 35 anos. Gosto de tocar a minha gaita (acordeom) nos finais de semana e comer um bom churrasco. Sou casado há 10 anos com minha esposa Jenifer, sou um cara caseiro. Minha formação é técnico eletrônico industrial e trabalho nessa área há 15 anos.

2) Você conhecia o blog Lances Quase Inocentes (LQI)? Na verdade, eu não tinha conhecimento do blog, mas olhei algumas postagens recentemente e achei bem interessante. Por sinal, parabéns pelo belo trabalho! Estou certo que passarei a acompanhar os conteúdos.

3) Como você aprendeu xadrez e como esse jogo se tornou importante na sua vida? Tudo começou com o meu pai, Roberto Bairros. Quando receberam o primeiro soldo do exército, ele e um amigo fizeram uma vaquinha e compraram em um sebo um livro de xadrez. Era de bolso, mas tinha mais de duzentas páginas e ensinava todas as fases do jogo. Compraram também um pequeno tabuleiro e passaram a treinar. Aquele foi o primeiro livro de vários. Foi assim que ele trouxe o esporte para a família. Quando eu tinha 7 anos, ele me apresentou os movimentos das peças, as regras e noções do jogo. E isso mudou a minha vida. Eu me tornei um curioso pela literatura enxadrística e aproveitei que nós sempre tivemos muitos livros de xadrez em casa. Isso me ajudou durante toda essa trajetória em busca da melhoria do meu jogo. Desde o momento em que aprendi a jogar, soube que xadrez não era um simples jogo para mim. Passei a usar o meu tempo livre para esse esporte. Sempre gostei da parte estratégica e criativa do jogo. Após alguns anos, ficou ainda melhor. O xadrez passou a ser um hobby, ou seja, uma atividade muito prazerosa e divertida que eu tenho certeza que levarei por toda a minha vida. É o que ainda faço hoje, e é por isso que tenho um canal de xadrez. O tempo que passo com essa atividade é extremamente agradável e recompensador para mim. Vou continuar jogando e difundindo o amor por esse esporte, sempre que puder, assim como meu pai começou.

4) Você compete ou competiu regularmente em torneios ao vivo, ou prefere eventos e partidas online? Na realidade as duas coisas. Eu já competi muito em torneios ao vivo aqui no Rio Grande do Sul. Eu costumava jogar vários eventos quando ainda estava no ensino médio e tinha mais tempo livre nos finais de semana. Era muito divertido. Íamos sempre em família: meu pai, Roberto, e minha mãe Alcélia. Eventualmente até a minha avó, Francisca, ia junto. Conhecemos diversas cidades aqui do estado assim. Lembro que nessa fase eu era cadastrado na FGX, que é a Federação Gaúcha de Xadrez, e tinha rating – na época, era de 2190 ou algo assim. Contudo, após alguns anos esse rating da FGX foi extinto. Após o término do ensino médio e o início das minhas atividades profissionais, infelizmente não tive mais tempo para continuar indo aos eventos. Contudo, mesmo não indo mais a torneios presenciais eu mantive contato direto com o Xadrez através dos clubes na internet, onde me mantenho ativo e sempre aprendendo mais sobre o jogo.

5) Gerar conteúdo sobre xadrez é uma tarefa árdua, pois a audiência é bastante crítica e seletiva e o retorno ao tempo dedicado costuma ser baixo. Qual tua motivação para superar essas dificuldades e ter um hoje um canal consolidado de vídeos de xadrez? Na realidade eu não acho que a tarefa seja árdua, pois eu fico realmente feliz e satisfeito quando estou criando os conteúdos do canal. Essa atividade, para mim, é extremamente prazerosa e divertida. O contato com o público do YouTube é algo que eu gosto muito. Em geral todos são muito legais e eu gosto bastante de interagir diretamente com todos através dos comentários – que eu busco responder o máximo que eu posso.

6) Você é um consumidor de livros de xadrez, ou sua geração já usa aplicativos e vídeos como principal forma de aprender sobre o jogo? Eu me sinto um felizardo por estar em uma geração que fica bem no meio entre o avanço tecnológico da internet e dos computadores e o período quando não tínhamos tudo isso. Sendo assim, a minha origem de estudante de xadrez, como eu havia mencionado, foi através dos livros. E esse é um hábito que eu gosto muito e tenho até hoje. Porém, eu não estudo mais apenas com os livros, hoje em dia eu faço uso dos benefícios da tecnologia como cursos de xadrez online e o auxílio dos programas de xadrez para estudo.

Capa do Canal no TouTube

7) Por que um canal no YouTube e não um blog? A ideia do canal no Youtube está mais ligada à dinâmica do xadrez. Ou seja, eu quero jogar ao vivo e mostrar para outros jogadores que estão começando como o jogo pode ser divertido e interessante. Quero mostrar a parte criativa, estratégica e a emoção da luta de uma partida de xadrez, que são as coisas que mais me atraem no jogo. Gosto da parte analítica do Xadrez também e dos desafios, então no canal mostro grandes partidas de xadrez e crio desafios enfrentando grandes jogadores ou engines. Acredito que esse dinamismo é mais facilmente atingido através do vídeo e por esse motivo fiz essa escolha. Contudo, também quero no futuro criar um site ou um blog para ter outra forma de abordar o assunto com os espectadores.

8) Pode deixar uma mensagem final para os seguidores do teu canal e leitores do LQI? A mensagem que eu gostaria de deixar é que o foco de quem quer jogar xadrez não deve ser ganhar, ganhar, ganhar. Mas sim buscar no jogo aquilo que atrai você. Seja a parte estratégica, tática, criativa ou artística, DIVIRTA-SE jogando xadrez, pois, a partir do momento em que você passa a se divertir jogando xadrez, você nunca irá parar e isso te levará a um dia se tornar um grande jogador.

Raffael, obrigado pelas simpáticas repostas dadas e pelo tempo dedicado em respondê-las. Grande abraço

Conheça Rafael Leite do Canal Xadrez Brasil

“Faço o que faço por paixão, não espero nada em troca”
Sorriso de quem faz o que gosta, e faz muito bem!
“Fala galerinha do xadrez!” Quem ainda não conhece essa saudação inicial está perdendo tempo! Assim são iniciados os vídeos do canal Brasil Xadrez no Youtube, sempre na voz de seu criador Rafael leite.
Rafael conseguiu criar o maior canal de xadrez do Brasil em número de inscritos! Alguns podem achar que é uma tarefa fácil, mas não é! Para se ter uma ideia, o canal de Rafael tem hoje mais inscritos que o canal do GM Daniel King, o Power Play, sendo que a audiência de King se estende a todo o mundo, pois seu conteúdo é em língua inglesa, enquanto que Rafael trabalha numa base de usuários bem menor, que são os falantes da língua portuguesa.
Isso é só um dos fatores que atestam a qualidade do trabalho dele! São vídeos que usam o formato de análise de partidas completas, num ritmo que algumas vezes lembra uma animada narração de futebol e, é claro, ensinam dicas valiosas das diferentes fases do jogo para as milhares de pessoas que acompanham o canal.
Rafael gentilmente reservou um tempo para responder algumas questões que nos ajudarão a entender um pouco de suas ideias e motivações, tanto no xadrez quanto na vida!
1) Rafael, fale um pouco sobre você, em especial aquilo que não tem a ver com xadrez.
Sou um cara comum. Casado, pai de uma filha, trabalhador. Sou caseiro, tranquilo, amo a vida e as pessoas. Meu sonho é construirmos um mundo bem melhor. Avante!
2) Você conhecia o blog Lances Quase Inocentes (LQI)?
Não conhecia, fiquei admirado com a qualidade do conteúdo do blog, já estou acompanhando.
 
3) Como você aprendeu xadrez e como esse jogo se tornou importante na sua vida?
Aprendi aos 5 anos de idade com meu pai e meu avô materno. Jogava com meu irmão e meu pai em casa. No entanto, acredito que eles não gostavam do tanto jogo quanto eu. Sempre pedia para jogar, mas acabávamos fazendo outras coisas. Na época não havia internet (nasci em 1982), então simplesmente coloquei essa paixão “em espera”. Somente aos 14 anos, mudei de colégio e na nova instituição havia aulas de xadrez. Por acaso, um amigo me pediu para entrar lá certo dia, pois ele tinha esquecido a mochila, entrei na sala de xadrez com ele para esperá-lo e foi assim que redescobri essa paixão. Me tornei aluno, em poucos meses já vencia o professor, e saí jogando torneios, Paulista, Brasileiro, Interclubes pela AABB, e passei a ser um frequentador ativo do CXSP (Clube de Xadrez de São Paulo). Por 3 anos, estudei em torno de 6 horas por dia. Depois veio cursinho, faculdade, namoros, acabei deixando mais uma vez o xadrez de lado. De 1 ano pra cá, a partir de 2018, resolvi tirar a paixão da gaveta e criei o canal Xadrez Brasil no YouTube, para extravasar tudo o que ficou acumulado uma vida toda. Deu certo, em menos de 5 meses eu me tornei o maior canal de Xadrez do Brasil, com mais de 50.000 inscritos. Acredito que aquilo que se faz com verdade e paixão, é percebido pelo público.
 
4) Você compete ou competiu regularmente em torneios ao vivo, ou prefere eventos e partidas online?
Entre 1997 e 1999 competi regularmente em torneios ao vivo por todo o Brasil, viajava praticamente todo mês. Há 20 anos que não participo de um torneio, mas neste ano (2019), vou jogar o Campeonato Brasileiro Amador em Junho. Não vejo a hora, é uma experiência incrível jogar torneios.
 
5) Gerar conteúdo sobre xadrez é uma tarefa árdua, pois a audiência é bastante crítica e seletiva e o retorno ao tempo dedicado costuma ser baixo. Qual tua motivação para superar essas dificuldades e ter um hoje um canal consolidado de vídeos de xadrez?
Faço o que faço por paixão, não espero nada em troca. Gosto de expor minhas análises, o contexto histórico, mostrar a evolução do jogo ao longo dos séculos, ajudar a desvendar os incríveis mistérios desta arte-ciência que é o xadrez. Gosto de explorar este mundo de beleza do xadrez, que quanto mais acompanhamos, mais enxergamos a sua grandiosidade e infinitude.
6) Você é um consumidor de livros de xadrez, ou sua geração já usa aplicativos e vídeos como principal forma de aprender sobre o jogo?
Aprendi sem internet, era debruçado em livros e tabuleiro mesmo. Sou a favor de estudar com peças e papel. Mas entendo que o mundo mudou. Hoje em dia, tudo acontece de forma mais dinâmica. Ficava sugerindo a meus amigos que queriam aprender xadrez a comprarem livros, tabuleiro e estudar. Todo mundo acha legal o plano mas acaba não fazendo, não dá tempo, não é prático. Para resolver isso, estou criando uma Academia Online de Xadrez, a Academia Xadrez Brasil, que será inaugurada em maio de 2019. Com aulas interativas online, a ideia é passar este conhecimento que existe em livros, de forma dinâmica, prática, simples e interativa. O aluno poderá aprender onde estiver, no metrô, em casa, no sítio, na praia etc, sem precisar de mais nada além de um celular, tablet ou computador.
Visão geral do canal Xadrez Brasil
7) Por que um canal no YouTube e não um blog?
Minha expressão flui mais facilmente em vídeos. Não tenho muita facilidade de extravasar tudo o que sinto de outra forma. Em vídeo, consigo ser espontâneo, mostro meus acertos, meus erros, minhas emoções, tudo de forma natural, sem passar borracha. Mas tenho vontade de ter um blog também, para uma outra forma de expressão, mais documental. O que me falta hoje para isso é tempo.
8) Pode deixar uma mensagem final para os seguidores do teu canal e os leitores do LQI?
Xadrez é encantador. Um mundo de beleza onde a arte imita a vida. Mas como tudo na vida, precisa de equilíbrio. Saiba caminhar.
Rafael, o LQI agradece pelo tempo que dedicou para responder às perguntas e te parabeniza pelo primoroso trabalho. Abraço! 

Gambitos? Sim senhor!

Com bolo especial, Sávio comemora seu 60º aniversário!
“Xadrez, pra quem joga e pratica,
é uma paixão eterna.” Sávio Perego


Uma das pessoas mais queridas do cenário enxadrístico nacional é o Sávio Perego! Tive o prazer de conhecê-lo nas competições nacionais dos Jogos do SESI em 2012, de lá pra cá temos nos encontrado pelas redes sociais e grupos de discussão de xadrez.

Sávio sempre falava de seus queridos gambitos, aberturas exóticas que não são comuns de se encontrar em torneios pensados, mas que costumam ser um terror nas modalidades mais aceleradas (sua especialidade).
Essa paixão está agora presente no YouTube, com o canal Xadrez e Gambitos by gbsalvio! Ele nos cedeu gentilmente uma franca e bem humorada entrevista.
1) Sávio, fale um pouco sobre você, em especial aquilo que não tem a ver com xadrez.

Jogo xadrez desde 1972, na febre que o jogo virou no Brasil por causa do match Fischer × Spassky, o ‘Match do Século’, considerado pela mídia em função da guerra fria, existente no mundo naquele momento.

Hoje, conto com 60 anos de idade, mas pra mim sou jovem ainda! Joguei futebol na várzea até meados do ano passado!

Tenho um casal de filhos um cientista da computação de 26 anos e uma menina de 20, que estuda medicina. Sou empresário no ramo de lentes oftálmicas.

2) Você conhecia o blog Lances Quase Inocentes (LQI)?

Conheci seu blog, LQI, devido a um torneio que jogamos juntos em 2012 em Goiânia. Competi no torneio de rápidas, fui vice-campeão, e você competiu no torneio de pensadas, torneio este a fase Nacional do Jogos das Indústrias, ou Jogos do SESI. Lá firmamos nossa amizade, e aí pude conhecer seu blog, muito bom por sinal!

3) Como você aprendeu xadrez e como esse jogo se tornou importante na sua vida?
Disse acima como comecei a jogar xadrez, devido a uma febre que virou o jogo nas escolas naquele tempo, me apaixonei de imediato! Jogo até hoje, mais online do que presencial, por causa dos afazeres sociais, família, empresa, mas agora com os filhos morando longe, aposentado, pretendo voltar a competir presencialmente. Xadrez, pra quem joga e pratica, é uma paixão eterna.

4) Você compete ou competiu regularmente em torneios ao vivo, ou prefere eventos e partidas online?
Nos anos 80 joguei bastante presencialmente, era solteiro, dava pra sair pra jogar os torneios Abertos de fim de semana, depois com o casamento, filhos, já era impossível competir, mas aí veio a Internet no inicio dos anos 90 e tudo ficou mais fácil para praticar e estudar a nossa arte.

5) Gerar conteúdo sobre xadrez é uma tarefa árdua, pois a audiência é bastante crítica e seletiva e o retorno ao tempo dedicado costuma ser baixo. Qual tua motivação para superar essas dificuldades e ter um hoje um canal consolidado de vídeos de xadrez?
Adoro xadrez e pra mim é um prazer pesquisar uma partida “bunitinha” de um gambito e fazer um vídeo com a mesma, claro devidamente analisada por mim! Sou colecionador de arquivos digitais de xadrez, tais como e-books, databases, vídeos etc. É meu hobby ficar baixando da net esses arquivos. Então, sou possuidor de boas databases de xadrez sobre diversas linhas, e mais especificamente de gambitos e linhas pouco ortodoxas. Joguei postal na net em diversos sites de 2002 a 2017, 15 anos jogando “baboseiras” das mais diversas linhas e gambitos pouco divulgados. Com essa database, são feitos, normalmente os vídeos do meus gambitos no canal. 

Comecei meu canal timidamente, até hoje com tão somente 250 inscritos ainda, mas acredito que vá crescer muito. Gerson Peres do CXOL é o meu maior incentivador desde a construção do canal até hoje. É um nicho muito pouco explorado pelos youtubers. Normalmente, pegam a partida do dia do Carlsen e analisam à exaustão. Repetem muito, muitas vezes o mesmo conteúdo. Já eu, sendo um apaixonado por linhas pouco convencionais, me enveredei por esse caminho de fazer tão somente vídeos sobre Gambitos! No meu canal dificilmente farei uma live, jogarei online e analisarei simultaneamente, que é a paixão dos “capivaras” em geral. Me pedem isso, mas serei fiel ao princípio de tão somente um vídeo por semana, de preferência gambitos. Assistir uma vídeo-aula de uma linha diferente, acho que é bastante prazerosa pra nós capivaras, penso eu!

6) Você é um consumidor de livros de xadrez, ou já se rendeu a aplicativos e vídeos como principal forma de aprender sobre o jogo?Estudei muitos livros entre 1976 a 1985, aproximadamente, que é a base teórica que tenho. Hhoje em dia gosto demais do Youtube com vídeos aulas, já não tenho “saco” pra estudar da forma antiga, livro mais o tabuleiro, prefiro ver vídeos no Youtube. E olha que se fosse pra estudar mesmo, minha biblioteca é gigante, em torno de 3 GB em e-books! Tenho uns 30 apps no smartphone, mas pra dizer a verdade não uso nenhum efetivamente.

7) Por que um canal no YouTube e não um blog?
Ter um canal no YouTube acredito ser bem mais direto ao publico, pois a visão é o principal sentido que temos, e falo isso com propriedade, pois vendo lentes oftálmicas, rs rs rs! Ver e ouvir faz com que aprendamos bem mais facilmente, e o conteúdo se fixa mais efetivamente!  Logo, logo terei um blog, ou um site mesmo, onde poderei colocar mais conteúdo, análises das linhas que terei no canal do YouTube, com os assinantes tendo a possibilidade de baixarem databases das linhas dos vídeos! 
Durante 47 anos de xadrez, até o momento, colecionei muitas coisas e quero poder compartilhar com o mundo, um pouco do que colecionei esses anos todos, antes de partir desta pra melhor.

8) Pode deixar uma mensagem final para os seguidores do teu canal e os leitores do LQI?
Gostas de xadrez agressivo? Gostas de jogar pra dar mate, se possível rapidamente? Gosta de linhas pouco convencionais? Então seus problemas acabaram, acesse Xadrez e Gambitos by gbsalvio e terás um mundo de linhas prazerosas pra se jogar em suas partidas de blitz, bullet ou mesmo rápidas!
Sávio, o LQI agradece pelo tempo que dedicou para responder às perguntas e te parabeniza por tanto amor ao jogo. Abraço! 
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