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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Maslow para Enxadristas (e para você)




Pirâmide de Necessidades de Maslow (wikipédia)

Em 1943 um psicólogo chamado Abraham Maslow criou uma teoria na qual elencava uma hierarquia de necessidades e desejos humanos com cinco níveis que, se alcançados, trariam realização pessoal e até mesmo felicidade. Este modelo ficou conhecido como Hierarquia (ou Pirâmide) das Necessidades de Maslow.

Nessa teoria, o primeiro nível é aquele composto de itens fundamentais à vida como alimentação, acesso à abrigo, sono etc. No nível seguinte, após o pleno acesso a todas as benesses do primeiro patamar, haveria a busca por coisas como propriedade, emprego e renda, estrutura familiar, princípios morais etc. Assim, todas as necessidades humanas são elencadas, até que no ápice da hierarquia vem a auto-realização, que seria quando o indivíduo obteve tudo o que está abaixo na pirâmide e, alem disso, sente-se no exercício pleno de todos os seus talentos, seus sonhos realizados.

A Pirâmide de Maslow pode ser adaptada para o caso do enxadrista de mais de uma maneira, uma delas é a seguinte:

Nível 1: movimenta as peças corretamente (inclusive roque e en passant); sabe quantas fases tem uma partida; aceita com alegria o epíteto de capivara; é permitido que participe dos torneios; só consegue acessar a parte mais externa de uma roda de análises.

Nível 2: não perde peças em armadilhas óbvias; entende um mínimo de estratégia (como o conceito de peões dobrados); tem afeição por uma ou duas aberturas de jogo; já vence pelo menos um outro mais capivara que ele próprio; é um rato de torneios de final de semana; é aceito no miolo de uma roda de análises.

Nível 3: já pensou em largar o xadrez pelo menos uma vez, mas passou, ama o jogo; domina a tática e tem boa noções gerais de temas estratégicos; tem um repertório de aberturas para brancas e pretas; sabe que precisa conhecer bem finais de partida; chia quando lhe chamam de capivara e já não é um adversário desejado para uma primeira rodada de torneio; é aceito no círculo interno da roda de análises, à borda da mesa, e até dá uns pitacos.

Neste momento, o xadrezista já começa a aspirar aos dois últimos níveis, “quer ser gente” como se diz. Com muita força de vontade, treinamento, sorte e prática, alguns chegam lá.

Nível 4: largou tudo pelo xadrez; tática e estratégia já são compreendidas como faces de uma mesma moeda; já não se limita a gostar de uma ou outra abertura, joga de tudo e muito bem, inclusive sem o tabuleiro; dorme com o livro de finais de peões do Maizelis; é admirado, já dizem que é um mestre; senta na mesa ao redor da qual se forma a roda de análises.

Nível 5: olha o tabuleiro e sabe, sem contar, quantas peças há sobre ele; escreve livros de tática e estratégia; vê o xadrez como uma extensão natural do pensamento; usa aberturas raras, até inferiores... e massacra; encontrou alguns erros no livro de finais do Dvoretsky; já lhe chamam grande mestre; os jogadores abrem-lhe o caminho até a mesa no centro da roda de análises, onde é convidado a sentar, ele dispensa, observa, dá sugestões benevolentes e certeiras; sabe que escolheu a variante certa para si no xadrez da vida.

Os paralelos são abundantes entre o jogo e a vida, também no que diz respeito à realização das necessidades, desejos e ideais. O sonho do enxadrista é o sonho de todo ser humano: ser um pouco feliz entre um lance e outro, se o adversário deixar!


4 comentários:

Ozymandias Realista disse...

Acredito estar no nivel 2. Li sua resposta no comentário anterior, vou lhe mandarnum e=mail até Domingo.
Força e honra.

Paulo Vilela disse...

Nível 2. Com orgulho!

Ozymandias Realista disse...

Fui lhe mandar o e-mail ontem, mas seu e-mail foi apagado do comentário.

Francisco J. A. de Aquino disse...

Excelente texto, mas acho que deveria existir o nível 2.3. ;-)