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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Bronstein, o mais humano dos grandes mestres




L. Pachman x D. Bronstein
Praga, 1946
Posição após 20. Td2.


"Uma partida que abriu uma nova página no desenvolvimento do pensamento enxadrístico" G. Kasparov

David Bronstein foi o mais humano dos grandes mestres, sem dúvida. Suas análises e ideias sobre o jogo vão além da busca árida por vitórias, mas pela beleza, pela alegria de explorar a vastidão das possibilidades do xadrez. Talvez tenha sido esse seu lado demasiado humano que o fez empatar o match pelo campeonato do mundo contra Botvinnik em 1951 – permancendo, assim o título com este último. Tigran Petrossian resumiu assim a importância de Bronstein para o xadrez: “Os mais jovens podem pensar que o xadrez moderno começou com coisas como o Informador, mas os jogadores da minha geração sabem que começou com Bronstein”. A prova de que Petrossian não exagerou é que Bronstein é o autor do que talvez seja o mais influente livro sobre o jogo no século XX: Zurich International Chess Tournament, 1953.

Ludek Pachman foi um dos grandes mestres da elite mundial nos anos 50 e 60 (sendo inclusive um dos poucos a ter escore igual contra Bobby Fischer, +2 -2 = 4). Ficou conhecido para a grande maioria dos enxadristas como o autor de obras primas como Modern Chess Strategy.

A posição acima é uma das mais famosas de Bronstein e aconteceu durante o primeiro confronto entre estes dois grandes mestres. O resultado final foi tão avassalador para Pachman que ele jamais conseguiu derrotar Bronstein no restante de seus encontros ao longo dos anos (+0 -5 = 6, o último em 1994)!

Bronstein mostra didaticamente como coordenar a ação concomitante das peças em determinadas casas do tabuleiro (a1, d4 e g3 principalmente), mesmo quando aparentemente as peças estão obstruídas por peças do adversário. O ataque se desenvolve nos dois lados do tabuleiro, ao mesmo tempo, com um só objetivo: matar o Rei branco!

A partida continuou assim: 20. … Ta1! Bronstein explica: “A única esperança branca repousa em seu Bispo de a1. Para demolir os cimentos da posição branca, as negras deveriam tomar o dito bispo com sua torre.” 21. Ta1 Bd4 22. Td4 Cb3 23. Td6 Df2 24. Ta2 Dg3 25. Kh1 Dc3 26. Ta3 Bh3 27. Tb3 Bg2 28. Kg2 Dc4 29. Td4 De6 30. Tb7 Ta8 31. De2 h3Ta1 21. Ta1 Bd4 22. Td4 Cb3 23. Td6 Df2 24. Ta2 Dg3 25. Rh1 Dc3 26. Ta3 Bh3 27. Tb3 Bg2 28. Rg2 Dc4 29. Td4 De6 30. Tb7 Ta8 31. De2 h3 e as brancas abandonam.

Posição final, 0-1.

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